segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Bom ou Ruim? Por: Marcos Fabossi

Bom ou Ruim?


O fazendeiro mora com o filho adolescente e tem um belo cavalo de raça, do qual cuida com muito carinho. O fazendeiro inscreve o garanhão na competição da feira anual do país, e ele ganha o primeiro lugar.

Os vizinhos do fazendeiro então se reúnem para parabeniza-lo pela vitória, mas ele calmamente diz:

– Quem sabe o que é bom ou o que é ruim?

Intrigados com a resposta, os vizinhos vão embora.

Na semana seguinte, ladrões que ouviram falar do garanhão campeão roubam o cavalo, e os vizinhos aparecem para lamentar e consolar o fazendeiro, que diz:

– Quem sabe o que é bom ou o que é ruim?

Alguns dias depois, o garanhão foge dos ladrões e consegue voltar para a fazenda com mais sete éguas selvagens com as quais fez amizade no caminho. Quando os vizinhos o parabenizam com animação, o velho fazendeiro mais uma vez diz:

– Quem sabe o que é bom ou o que é ruim?

Poucos dias depois o filho do fazendeiro cai de uma das novas éguas quando estava tentando domá-la e quebra a perna. E novamente aparecem os vizinhos para lamentar o ocorrido, e ele mais uma vez os lembra:

– Quem sabe o que é bom ou o que é ruim?

Na semana seguinte o exercito imperial marcha pelo vilarejo e recruta todos os jovens capazes para a guerra que acabara de começar, e o filho do fazendeiro é dispensado por que está com a perna fraturada.

Bem, os vizinhos nem se deram ao trabalho de procurar o fazendeiro para parabeniza-lo. Àquela altura, já sabem qual será sua resposta:

– Quem sabe o que é bom ou o que é ruim?

Se fizermos um “inventário” da nossa história, provavelmente perceberemos que muitas das situações que, inicialmente, pensávamos ser ruins, trouxeram resultados positivos, e que muitos fatos que pensávamos ser bons, resultaram em coisas ruins.

O fato é que quem determina se um acontecimento e suas consequências são “bons” ou “ruins” somos nós mesmos, porque ao pré-julgarmos que determinada situação é ruim, naturalmente mudamos o nosso estado de espírito, o nosso ânimo, a nossa motivação e, consequentemente, agimos de maneira a torna-la efetivamente negativa.

Da mesma maneira, quando entendemos que um acontecimento, por mais difícil que possa parecer, pode resultar em coisas positivas para nossa vida, nosso ânimo, vigor e motivação nos ajudam a superar as dificuldades e a sairmos mais fortalecidos da situação.

A isso chamamos de “profecia autorrealizável”, ou seja, nós é que determinamos qual o impacto que as experiências do dia a dia trazem para nossas vidas.

O único fato concreto e a única verdade que temos a nossa frente é o acontecimento em si, contudo, o que acontecerá depois é consequência da maneira que olhamos para a situação.

Perder o emprego pode ser tanto uma benção como uma maldição. Assim como ser acometido por uma doença, sair de um relacionamento, perder alguém muito querido, comprar um carro novo, mudar de casa, e tantas outras situações que a maioria das pessoas passa durante a vida, podem ser boas ou ruins; isso depende de como lidamos com elas.

O que já aconteceu é passado, o que ainda não aconteceu é futuro, e sobre estes dois nós não temos domínio.

O único componente do tempo sobre o qual temos algum controle se chama “presente”, e é nele que podemos agir para que os fatos do passado, por mais difíceis que tenham sido, não determinem o nosso futuro, caso contrário, teríamos um grande passado pela frente.

Este é um dos mais importantes princípios da vida e da liderança, porque permite ao líder posicionar-se de maneira neutra, imparcial e racional frente às situações do cotidiano, sejam elas supostamente boas ou ruins, e assim atuar no presente, utilizando o passado como experiência, e o futuro desejado como objetivo.

Por isso, antes de pré-julgar se uma situação é boa ou ruim, lembre-se de que você mesmo é quem determina o veredito final, e não se esqueça, faça as pazes com seu presente, porque é nele que você viverá todos os dias de sua vida.

(*) Marco Fabossi é Conferencista, Escritor, Consultor, Coach Executivo e Coach de Equipe, com foco em LiderançaSócio-diretor da Crescimentum – Alta Performance em Liderança, que tem como missão: Construir um mundo melhor, transformando pessoas em líderes extraordinários“.
 

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